domingo, 17 de fevereiro de 2008

PENSEM NAS CRIANÇAS...



O estômago dilata a cada nova refeição. Jogar comida fora é pecado. Com tanta gente morrendo de fome na Árica...
Ao invés de aprender a fazer um prato menor, essa desculpa engorda muita gente por aí.
Minha pergunta é: Se comer tudo, a criança na África não passa mais fome?
Claro que é pergunta cretina. Mas é que os africaninhos têm uma responsabilidade muito grande no cotidiano das pessoas.
Não chega a fome que eles passam - como se aqui não tivesse disso em cada esquina - esses seres raquíticos e desnutridos ainda são motivo de culpa por conta de quem tem um nó na garganta e não consegue soltar em grito ou choro.
"Como eu posso ser tão egoísta preocupado com meu sofrimentozinho se agora mesmo tem gente morrendo de fome na África?"
Repito a pergunta: Se todo mundo ficar bem alegre e contente, as crianças terão o que comer?
Tem sempre gente pior que a gente. Como tem sempre um ou outro que se dá muito bem e tem seus momentos de glória.
Mas por que é que se desmerece ou se desvaloriza tanto o que se sente?
Parece que a angústia acaba relegada à um campo da invenção, da fantasia, da criação - o que pode até ser - muito inferior aos problemas tidos como "reais".
E a dor de cada dia passa a vir acompanhada de uma culpa muito grande, como se não tivessem o direito de se dar ao luxo de ter problemas existenciais quando alguém no mundo passa fome.
Mas se essa dor existe. Se ela paralisa e agoniza em carne viva, por que virar a cara prá isso?
Fica aqui o convite de abrir feridas para, só assim, poder tirar as farpas, os cacos, o veneno.

Foto de Vinícius Guarilha chamada "Fragmentos e cortes do real'. Às vezes a imagem do espelho não é tão desagradável.
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