quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

QUESTÃO DE HONRA


Houve um tempo - e já faz tempo - em que se media a honra de uma pessoa pela capacidade que ela tinha de ser vingativa e rancorosa, lavando o que estava "sujo" com sangue e mágoa eterna.
Pra não dar o braço a torcer, de que seu investimento estava furado, de que suas escolhas já estavam apodrecidas, de que havia um cheiro putrefato no ar de coisa vencida, ela se esquartejava inteira, alimentando monstros que carcomiam a alma feito metástases cancerosas (a redundância é exagero didático).
Não sei se as coisas mudaram. 
Não sei. 
Mas tento saber se há saídas outras, mais econômicas, afinal, o que é um braço preservado perto do corpo inteiro torturado?
Por que é preciso a ilusão de se manter na mão o que, inexoravelmente, foge ao controle?
Pra que se assemelhar aos coronéis daquele tempo antigo, os quais sequer se admira, nomeando o que pensas que te pertence e ampliando tuas posses imaginárias, se nada fará com tudo isso que acumulas?
Agora que o ano virou, arrumar o armário e ver o que serve, e o que só causa bolor, pode ser mais que útil. Pode ser mesmo questão de sobrevivência, arranjar espaços para as novidades e novas descobertas, fazendo um enterro decente para o que não cabe mais no agora.
Hei, você, que tenta agarrar e controlar o mundo todo, não tem mais o que fazer, não? 
Seu projeto é falido. Sinto muito!
A não ser que sejas uma centopéia, sempre faltarão braços.
Vamos arrumar a casa e desapegar do que não serve mais?
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