sábado, 30 de abril de 2016

ESTÁVEL



A samambaia de minha tia nunca deu trabalho. Não secou por falta de água, não murchou ao sol, não reclamou da sombra, nem uma lagarta sequer tentou comê-la.
Ela estava lá, sempre lá. Onde quer que fosse, ela estaria sempre ali onde a colocássemos. Sem nada a dizer, gemer ou blasfemar.
Assim eram os deprimidos sob controle. Os que tomam medicamentos há 15 ou 20 anos. Sem dar trabalho e sem trabalhar também. Sem sorrir ou chorar ou tentar cortar os pulsos. Sempre ali. Sob o sol, sob a chuva ou mesmo a fome.
Tudo sob controle. Devidamente medicados. Mas e o resto da vida?
Aquele resto que espirra? Que reclama do calor e do frio? Aquele que agradece o calor ou o frio? Aquele que liga pros amigos, xinga, ri, e levanta e dança quando toca aquela música? Não qualquer uma. Aquela!!!!
Ah, mas para isso tem que fazer terapia. Custa caro - não importa quanto, o preço é muito alto. É longe. Mal se tem tempo.
Deixa pra lá. 
Vamos ficar assim, samambaias. Choronas por dentro. Mas estáveis por fora.

Postar um comentário