terça-feira, 18 de setembro de 2007

CAFÉ COM LEITE


Nunca entendi bem essa expressão. Desde criança a gente escuta, nas brincadeiras, que Fulano ou Beltrano, por ser pequenininho, é café com leite. Ele até pode brincar com os outros, maiores, mas não conta muito. Não vale.
Por que 'café com leite'?
Isso nem vem muito ao caso, descobrir a origem da expressão. O fato é que depois de velho a gente continua lidando com essas sensações de ser apenas café com leite. De não ter os instrumentos necessários para participar da brincadeira. Não ter estatura. Parece que ficou faltando alguma informação ou formação para que o sentimento de aptidão se mostre presente.
A pergunta aqui então é outra: Por que se achar café com leite? Por que, por mais pós doutorado que as pessoas tenham, elas não se sentem aptas a realizar alguma coisa que realmente gostariam?
Se o olhar for político dá até prá entender. Principalmente hoje em dia, quando parece haver uma facilitação para que não haja repetência ou evasão escolar. Essa política hoje tem força total, com a desculpa de justamente fortalecer a auto estima dos alunos.
Mas tem coisa pior prá auto estima do que se sentir burro? Do que sentir que não teria a mínima condição de realizar o que lhe foi incumbido se não fosse a ajuda dos grandes?
E o que psicanálise tem a ver com isso?
Às vezes o obstáculo fica tão grande, tão grande, que a gente fica se sentindo mesmo bem pequenino perto dele. Vira mesmo café com leite. Só que, ao contrário do termo, que implica em certa proteção, por não termos todas as armas, é exatamente nessa situação que nos sentimos mais desprotegidos.
E então chega a hora de investigar direitinho de onde vem esse sentimento. De onde vem essa sensação de que "todo mundo sabe menos eu". Tem gente por aí que passa por mau aluno mas só precisa de uns óculos prá enxergar melhor.
E você? Aceita uma lupa, Sherlock?


O café maravilhoso aí de cima quem fez foi um amigo, o Emílio Rodrigues. às vezes um café com leite pode ser muito, muito bom.
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