sábado, 29 de setembro de 2007

GOSTO POR DESGOSTO


Masoquismos à parte, tem gente que é mesmo chegado a um sofrimentozinho como forma de vida.
Não o sexual, quando se precisa impreterivelmente de alguém prá lhe impor a dor, mas o sofrimento como única forma de viver mesmo.
E toma reclamação, e toma problema insolúvel - já que o esforço prá resolver é nenhum -, toma mazela como cartilha de comportamento.
O que chama a atenção é o esforço feito prá continuar no mesmo lugar, o da dor, achando sempre que dar um só passinho é muito difícil. Gasta dinheiro e tempo, e isso é matéria escassa no planeta. E terapia é um negócio muito caro (ó a desculpa aí, gente!)
Outro dia ouvi de uma mulher como ela não suportava mais o marido, mas fazia questão de não separar só de raiva dele.
O detalhe é que ela tinha câncer, com metástase, e sabia ter os dias contados.
Mas a não-separação não era medo de falta de cuidados, não. Era vingança, como ela dizia. e ela precisava fazer aquilo - se vingar - antes de morrer.
Aí a gente vê logo que tem um gosto pelo desgosto muito maior que qualquer possível alegria.
Seja o desgosto de viver reclamando, seja o desgosto de dormir com um inimigo, seja o objetivo de vida unicamente voltado prá espezinhar um outro.
Só pergunto onde é que fica o por do sol nessa história toda. Onde fica o beijo na boca? Onde fica a satisfação em produzir o que gosta? Onde fica...?
Ah... eu é que não vou ficar falando aqui - como fazem os desgostosos.
Tô atrasada prá dar umas gargalhadas. Vou correr ou meu sorvete derrete.
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