segunda-feira, 7 de abril de 2008

MALDIÇÃO


Quem não se lembra de Malévola, a bruxa má que roga uma praga na Princesa Aurora - a bela que dorme - quando esta ainda era um bebezinho?
A gente cresce e acha que essas historinhas são pura ficção prá distrair as crianças e enriquecer o imaginário delas.
Só que a ficção às vezes vira realidade e nem nos damos conta disso.
Outro dia eu via o filme 'O passado' em que uma mulher louca de pedra persegue o ex marido até acabar com tudo o que ele conseguiu construir na vida. E lhe roga uma praga mais ou menos assim; "Quando você estiver sozinho, só terá a mim."
Só que a mesma faz tudo prá chegar logo esse momento de solidão do pobre diabo até que sua profecia se concretize.
Na vida real (heim?) não é muito diferente do filme, não. Mas há como fugir disso, há como reescrever o roteiro, há como quebrar o encanto lançado simplesmente olhando bem firme prá ele num trabalho prá lá de pai de santo ou pastor universal.
O propósito na clínica psicanalítica está justamente em tentar descobrir outras saídas, outros modos de ação, fechando o corpo de vez e começando a escolher um pouquinho só no que acreditar, tirando das maldições o caráter de verdades incontestáveis, absolutas.
É que geralmente quem roga a tal praga de madrinha é alguém que exerce um poder fenomenal sobre a gente. Daí desmentir essa pessoa significa também desmentir todas as outras coisas importantes que ela falou. Mas por que levar as "pré-destinações" tão à sério?
Só questionando isso a gente pode encontrar um outro destino, bem diverso do já escrito pelas bruxas de plantão, e dessa vez abrir espaço para, pelo menos, experimentar o diferente.
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