terça-feira, 29 de dezembro de 2009

ATÉ QUE PROÍBAM...



Sumi uns tempos. Tá certo. Assumo.
E retomar as coisas depois de uma ausência longa é sempre complicado.
E foram tantos assuntos, tantas manchetes, que acabei comendo muita mosca sem dar pitaco algum.
Nesse tempo de sumiço me perdi no apagão, fiquei com dó do pito que Caetano levou da mãe (brigar com as crianças assim em público, minha senhora?), vi brotar do Arruda tanto dinheiro que dava prá benzer o país, quis matar o padrasto do menino-faquir-sacrificado, vi os esperançosos crentes tardios em Papai Noel tentarem esfriar o mundo lá na ala VIP, enquanto o pessoal daqui debaixo do Equador, acostumado à mão boba do bom velhinho, nem sabia o que acontecia...
Mas meu sumiço era pura adaptação.
Por uns tempos fiquei sem saber o que eu podia e o que não podia. O que era proibido, o que o seu guarda deixaria passar, o que ameaçaria minha liberdade ou bolso...
Água de coco pode?
E queijo coalho, pode?
Cervejinha de noite só de táxi né?
E fumar? ah, o segurança disse que lá no estacionamento, no meio dos carros passando, é o local de fumantes. Ali na chuva. Tá vendo?
Como se vê, todos estão muito preocupados com a minha saúde. Ô glória!!!
Jogar bola na areia?
Frescobol?...
Eu, na verdade, não faço nem a metade do proibido. Mas de repente não podia tanta coisa, tanta coisa, que fiquei sem saber o que é que pode. e temi ser caçada por dizer alguma coisa que era proibida e eu ainda não sabia.
Liberaram meu alvará prá uma casa na encosta, e não fazem nada contra a política de extermínio que usa crack, prostituição infantil e fome como armas. Mas o queijo coalho? Ah, esse é fatal.
Bom... Mas enquanto a gente confundir quem manda com quem cuida, o risco dessa interdição mental, que nos julga sempre incapazes demais prá escolher o cardápio, estará à espreita.
Quem se junta?
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