sexta-feira, 20 de abril de 2007

DO INFERNO...



Nunca conheci ninguém que tivesse mau gosto!!!
Essa frase, a princípio, pode parecer estranha diante da cafonice do mundo. Diante das desigualdades e deselegâncias. Mas continuo batendo o pé e afimando: Não conheço - ou mesmo tenho notícia de - alguém que tenha mau gosto.
Todo mundo tá sempre afirmando por aí seus valores, sua sensatez, seu bom senso e clareza, sua capacidade de discernimento apurada.
Canibal é sempre o outro. Já dizia qualquer pesquisa antropológica em qualquer tribo que já se tenha notícia.
É incrível a capacidade do Homem (que me perdoem os politicamente corretos, mas acho esse termo mais interessante)de atribuir a outra pessoa as qualidades - e defeitos - com que ele não consegue lidar em si mesmo.
Citando o vesgo Sartre, "o inferno são os outros". Mas por que a gente não consegue ver com tanta clareza tudo de bom que esses outros têm prá oferecer?
E a gente sai pondo no outro a culpa de tudo de ruim que nos acontece. Seja esse outro o vizinho, o marido, a mulher, o filho, a cachaça, o demônio, o gen do mau humor...
E Deus, distraído que só ele, parece ter umas ausências na hora de nos defender. De nos livrar de todo mal. E faz questão de forçar a barra prá gente poder se deparar com o "inimigo".
Claro que é mais fácil colocar no outro o foco de ameaça. E sair pela vida, de arma na mão, exterminando tudo o que represente a alteridade. Mas a questão que levanto aqui é outra. A do encontro. A do reconhecimento do outro como necessário a nossa sobrevivência. Seja ela física ou psíquica.
Então tá feita a proposta. Que tal olhar pro lado um pouquinho e enxergar o que está a volta?

A propósito, essa sombra aí da foto é sua?
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