terça-feira, 17 de abril de 2007

SIGA O CAMINHO DAS PEDRAS AMARELAS

Tem hora que tudo o que a gente quer é uma direção indicada.
Hora em que a escuridão toma conta de tudo, e angústia parece ser o único sentimento possível. "Eu não sei o que fazer da vida, não. Vou procurar alguém que saiba isso prá mim." E a busca pelo mapa, pelo caminho, pelo fio de Ariádne que livra do labirinto começa.
Cartomante, pai de santo, auto-ajuda, brincadeira do copo, placa de trânsito, oráculo, horóscopo, guru, biscoito da sorte,... Qualquer coisa que me dê um sinal de que não estou sozinho no mundo, e tenho alguém prá me orientar nessa deriva total que me encontro. E me perco.
Qualquer coisa que me mostre uma luz, uma lanterninha, um vaga-lume sequer.
E fica-se pelo mundo aprendendo simpatia, pulando sete ondas, dormindo com a cabeça no sereno e o pé na bacia. Tudo prá resolver aquele problema. Só aquele, que é o único empecilho prá felicidade chegar e tomar conta de tudo de vez.
Mas a gente não segue qualquer um não. Isso é que não.
O critério é rigoroso.
Parece que a gente procura justamente alguém que diga o que a gente QUER ouvir, por isso o crédito. Queremos correligionários no que já sabemos. Alguém que diga, com a própria boca, o que nós já tínhamos pensado, confirmando a nossa tese.
Claro que não há mal algum em sair por aí procurando respostas. É até bem louvável que se tome essa atitude. E às vezes a gente não pode mesmo seguir sozinho. Precisa de um empurrãozinho. Precisa acreditar que tem alguém segurando a nossa mão. Precisa saber que se gritar, alguém vai ouvir.
Outro dia li o que uma pessoa escreveu a respeito de psicanálise, como se o Freud tivesse afirmado um monte de coisas que ele jamais fez. O barbudo tá dando piruetas no túmulo até agora, fazendo inveja a contorcionistas chineses, brabo com mais uma pseudo-citação de sua obra. Segundo o que li, a função da psicanálise é mostrar a veradde pro paciente.
Fica a pergunta aqui:
Verdade de quem, cara pálida?
Fui tomada de cólicas e tonteiras sem precedentes. Não é justo. Não é justo.
Pois bem, eu dou uma palhinha do que seria a função da psicanálise aqui. Rapidinho, prá fixar bem.
Esse jeito de prestar atenção nas pessoas e seus afetos que Freud foi descobrindo e inventando trata justamente do contrário, da contra-mão. Ao invés de sair ensinando os outros a viver, como se alguém o soubesse realmente, melhor descobrir, junto com a pessoa, o melhor jeito de ela própria estar no mundo.
É só uma sugestão.
Às vezes trabalhosa, mas por isso mesmo muito mais atraente.

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