quarta-feira, 11 de abril de 2007

MÁQUINAS

Já faz tempo que um barbudo, de charuto em punho, que levava a fama de sair explicando tudo pela vida afora, começou a valorizar uns fenômenos que ninguém dava muita bola prá eles.
No princípio eram os sintomas das histéricas. Os médicos teimavam. Diziam que era fricote das moças todas as paralisias, afasias, anestesias e tantas "sias" sofridas por elas, e o tal barbudo teimava em dizer que aquilo significava alguma coisa. Ele ainda não sabia o quê, mas sabia que naquele mato tinha cachorro. Logo depois, ele começou a prestar atenção nos sonhos. Sim, os sonhos. Afirmando haver algum sentido naquele saco de gatos que aos olhos dos outros não tinha sentido algum.
Só que ele não parou por aí não. Além dos sonhos, dos chistes, das fantasias, e até dos mitos, já velhos e esquecidos, estava alguma coisa que ele não sabia bem o que era, mas que julgou necessário investigar até não lhe sobrar mais tempo prá nada.
E ficou com aquela idéia fixa: a do tal INCONSCIENTE, o qual se manifestava através do que a ciência da época chamava de lixo, e descartava procurando a "verdadeira verdade" das coisas.
Claro que o barbudo em questão é ninguém menos que Sigmund Freud, mencionado em linguagem chula, em estruturas nada acadêmicas, pra gente perder o medo logo dessa personagem.
Mas o tempo passou, a técnica da psicanálise foi difundida pelos quatro cantos, e encontramos agora uma outra discussão. Nem tão OUTRA assim, nem tão nova.
Trata-se da batalha do real com o virtual, e de como essas duas visões se fundem e se enfrentam.
Acontece que o virtual, geralmente, é associado como antagônico do real, como se ele representasse a mentira, a fantasia - e lá vamos nós de novo - o sonho..., ou mesmo um ensaio geral antes de o show começar. Intelectuais de plantão se acotovelam para separar esses mundos de maneira eficaz e decisiva.
Fica a pergunta aqui: será que essa separação é realmente útil? Afinal, se paga contas virtualmente, se conhece pessoas virtualmente, se encontra amigos de infância virtualmente, se estuda, trabalha, faz compras,..., virtualmente. Então será que essa parte é mentira? É irreal?
Creio que há hoje uma má vontade - ou até preguiça - em olhar com bons olhos tudo o que podemos fazer com os instrumentos que estão à nossa disposição. Mas creio também que, se perdermos tempo tentando agradar a todos, nossas possibilidades de encontrar algum significado pros nossos atos, como fez o barbudo citado acima, se escassearão bastante.



Afinal, cadê o homem da foto? Só vejo sua IMAGEM.
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