terça-feira, 21 de agosto de 2007

ORA BOLAS, VÁ FAZER TERAPIA


Chega a ser cômico como não existe ofensa maior do que mandar alguém fazer terapia.
Pode xingar a mãe, mandar tomar não sei o quê não sei aonde, sugerir uma viagem pela TAM, coabitação com a sogra,...
Mas bastou falar em terapia que a casa cai, o circo pega fogo, e vem logo o rebate, meio infantil, quase chamando o irmão mais velho prá bater:
"Vai você que tá mais acostumado!"
E começa uma discussão longa meio querendo dizer "quem tem problemas é você, não eu"
Mas eu pergunto aqui, chamando prá briga, se é realmente possível nesse mundo alguém não ter problemas.
Claro, o problema é sempre do outro. Todo mundo sabe disso. Mas já que a gente tem que conviver...
Parece haver um certo temor em mexer no que está há tanto tempo 'adormecido', abafado, trancado à sete chaves lá nas profundezas do porão mais secreto. Mas o que será que tem nessa caixinha que assusta tanto?
O Ferenczi, psicanalista vastamente elogiado por Freud, sublinhou um detalhe importante em sua clínica sobre esses segredos e repressões mantidos à todo custo. É que ele reparou que, muitas vezes, o medo de se mexer no que está guardado fica tão grande, tão cheio de julgamento, como se ao fazer terapia soltasse todo o mal, e os mosntros seguiriam desgovernados, agora libertos, massacrando a humanidade.
Mas ele percebeu, com sua sensibilidade mais que apurada,que os pacientes acabavam prendendo ali, também, no meio de tudo, sentimentos altamente positivos como a ternura, o afeto, o carinho, e até o amor.
Então prá fugir das coisas 'ruins', eles acabavam negando a existência das 'boas'.
E isso é vantagem?
SE você acha que sim, só tenho uma coisa a dizer:
Oras, vem fazer terapia!!!

Foto Por Luiz,"São Paulo's Eyes .Flickr"
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