sábado, 12 de maio de 2007

JUVENTUDE TRANSVIADA - e sua mãe também!!!


Dia das mães!
Pensei muito num tema que não esbarrasse nele. Mas acabei caindo aqui na armadilha, correndo risco de ficar piegas, apelativa, ou até agressiva.
Não há nada mais simbólico de mãe do que o seio. Um abraço de seios fartos felinianos, que tantas vezes pode acolher, noutras tantas sufocar.
Lembrei de que nem todo mundo é mãe. Mas, com certeza, todo mundo é filho. E mais, todo mundo é filho e, por mais velho que seja, sempre acaba sendo tratado como moleque irresponsável, que ainda tem muito o que aprender na vida, e esquece sempre casaco e guarda chuva só prá chatear.
E chegando o assunto 'filhos' prá pertinho, pros tempos atuais, a frase mais usada que se ouve por aí é a mesma: "Essa juventude está perdida!"
(Nada a ver com pastor evangélico, que chama todo mundo de jovem. Ou "meu jovem", já atribuindo uma possessividade aí quanto à ovelhinha. Mas o "jovem" aqui é pelo simples fato de que, para as mães, os filhos são sempre imaturos demais.)
Quanto a isso parece não haver sombra de dúvidas. Vamos lá às críticas mais comuns: O jovem hoje modifica o próprio corpo a seu bel prazer, fica horas na internet com joguinhos e bate-papos que, a princípio não levam ninguém a lugar nenhum, sai por aí querendo mudar o mundo, e como se não bastasse, não pede opinião a ninguém, e ouve uma música que sabe-se lá como ela ganhou esse status.
Mas aparece uma questão aqui, que não me sai da cabeça.
Afinal, quando é que a juventude foi achada???
Quando é que ela se encontrou e fez exatamente o que seus pais esperavam dela?
Se houve em algum dia um só lampejo dessa passagem, não me lembro. Acho que eu era jovem demais, e me perdia por aí, tentando me achar de vez.
Às vezes atendo uma ou outra mãe desesperada, quase citando Rita Lee cantando "esse tal de rock´n roll".
"Sabe doutora, minha filha enlouqueceu. Ela não quer mais fazer o que eu digo. Quer decidir tudo sozinha. Vê se pode..."
Mas o que leva O MUNDO a achar que o jovem está invariavelmente perdido?
Eu tenho alguns palpites prá arriscar aqui.
Talvez seja a dificuldade em ver que aquele ser que não podia querer - desça o mouse dois textos - comece agora a querer andar com suas próprias pernas.
Talvez seja a dor - sim, mãe se dói mesmo - de observar que a opinião importante agora não é mais a de quem era antes.
Talvez seja a dificuldade de lidar com as diferenças. De assumir que o outro não segue o mesmo caminho que nós por um motivo muito simples:
O caminho mudou!
Postar um comentário