sábado, 26 de maio de 2007


Tudo bem...
Fico falando aqui sobre o silêncio, e sobre ficar sozinho consigo mesmo... Mas esqueci de mencionar como isso é difícil e trabalhoso - quiçá até doloroso.
Mas a gente pode ir prá teoria, e ficar mais racional, assim não dói tanto falar disso tudo.
Winnicott, o pediatra-psicanalista-inglês, escreveu um texto muito bom que falava da capacidade de estar só.
Segundo ele, essa capacidade era aprendida, e eram precisos alguns requisitos básicos que, a princípio, se mostram controversos.
Ele afirmava que, para que uma criança seja capaz de ficar sozinha, ela deve experimentá-lo na presença de alguém. Confuso né? A princípio sim. Mas não quando a gente pensa nas crianças brincando, e na presença de algum adulto que lhes seja importante ali, para lhe assegurar a existência, para lhe afirmar que ela não foi abandonada, que alguém a respeita em sua vontade de brincar, sem interferir na brincadeira, mas nem por isso sem deixá-la de lado, fica mais fácil entender.
O 'estar só' muitas vezes é tão difícil por essa associação com o abandono. Com o "ninguém me ama, ninguém me quer", e não faço falta prá ninguém. E talvez tenha sido assim que a maioria das pessoas tenha experienciado essa sensação de estar sozinho. Como se o resto do mundo representasse uma ameaça terrível, já que não há ninguém para dar a mão na hora que for preciso.
A imagem que me vem a cabeça prá falar disso e da criança perdida na praia, como se nunca mais fosse achar os seus, como se de agora em diante tivesse que mudar de vida, pois seus pais lhe fugiram da vista.
E ela tem que enfrentar a multidão fazendo muito barulho para ser novamente encontrada.
É isso...
Mas a solidão não precisa ser esse EU X resto do mundo, não.
Às vezes basta um aceno, basta um sorriso, basta um olhar, prá gente continuar a fazer os nossos castelinhos na areia.
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