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terça-feira, 22 de setembro de 2009

ETERNAMENTE RESPONSÁVEL?

Se tem uma história de criança que me arrepiava muito mais do que qualquer Bruxa, Fera ou Lobo Mal era a do tão singelo e viajante 'Pequeno Príncipe".
Não por jibóia ou planeta longe de casa, mas pela eternidade de qualquer escolha que ela me remetia.
"Tu te tornas ETERNAMENTE responsável por TUDO aquilo que cativas". Já viu maldição maior?
Nem cigana, nem mãe, nem madrinha são capazes de rogar praga tão devastadora que nem essa.
Fico imaginado a Juliana Paes com uma fila de marmanjos na frente de casa dizendo: Dá prá mim, Juju, Você me cativou, agora tem que se responsabilizar.
Já pensou?
E o eterno? Como é que fica? Demora ?
Mas deixemos a moça quieta e partamos para os caminhos, as conquistas, as opções. Como é que se cativa? O que é que se cativa?
A gente faz um monte de escolhas na vida, de acordo com determinadas situações, que acabam acompanhando a gente por tanto tempo que a gente nem sabe mais como é que rescinde o contrato. E elas ficam assim mais eternas que os diamantes. Um(a) marido/ mulher; um diploma; uma carreira; um concurso; uma postura política; uma casa com piscina.
Mas é eterno heim?!? Não me venha querer mudar o que você defendeu outrora com tanta graça e donaire. Tem que escolher bem direitinho, pois no fim, a responsabilidade é TODA sua.
É o mesmo que dizer: Olha, você só tem uma bala. E não pode errar o alvo. Ou ainda: A felicidade só bate UMA vez a sua porta. Só uma.
Se saiu prá comprar pão... babau. Ela não manda bilhetinho, não faz segunda chamada, nem deixa recado após o o bip.
Só que tem uns passos na vida da gente que ficam parecendo baratas. Pode explodir bomba atômica que eles não morrem de jeito nenhum. Afinal, se era carreira prá vida toda, se era casório até que morte separe, não pode simplesmente mudar assim. Melhor nem questionar muito. Nem arriscar fraturar a palavra, e ao invés da responsabilidade já falada, vem sim uma culpa tremenda pela escolha do cativeiro. Culpa do passado, ou de um só passo, que acabou degringolando todo o resto.
Mas aí eu pergunto, gajo: Só porque viste a casca de banana cativa, precisas escorregar nela prá reafirmar sua palavra, ó pá?

segunda-feira, 18 de junho de 2007

ASSIM É SE LHE PARECE


Que o Cupido é moleque safado, sacana que só ele, ruim de mira que só os diabos e ainda por cima bêbado, torto, debochado,..., disso todo mundo sabe.
Que o amor é cego, e que ele seja também meio obtuso, meio tapado, meio burro até, disso pouca gente duvida.
Que Santo Antônio, afogado em copo d´água de cabeça prá baixo, mostra na prática os fenômenos estudados nas aulinhas de física - aquelas que ninguém entendia nada - exemplificando o que seja a refração, isso também é fato.
Santo Antônio não consegue traçar uma reta naquelas condições, talvez por isso a gente veja por aí cada parzinho de arrepiar... Decerto que tem um pacto, mas daí a esse pacto ser de amor ou felicidade; isso já é outra história.
Ok, ok, a gente pode dar o nome que for, tentando justificar as escolhas amorosas, o mau gosto, a sina de se envolver sempre com gente muito parecida. E responsabilizar os santos ou deuses, a cachaça ou a miopia quando nos for conveniente.
Mas explicar prá quê?
Prá quem?
Afinal, a parte interessada no assunto é inequivocamente a nossa.
Será que não tem nada além dessas escolhas?
Na psicanálise, o nome que a gente dá a tudo isso que justifica nossas miras um tanto toscas é um só: Inconsciente.
Sim, é ele quem decide o que fazer quando a gente acha que se entregou à emoção e não pode mais decidir nada.
É essa escolha aparentemente sem escolha - dizem que a gente não escolhe por quem se apaixona - que questionamos quando o tema é o amor, é o alvo do Cupido, esse menino zombeteiro que faz das suas quando resolve atirar sua flechinha.
Por que será que aquele brilho nos olhos, que aquela frase exatamente naquela hora tornou-se tão decisiva a ponto de elegermos alguém prá ser o depositário do bem mais precioso que podemos doar?
Deixemos Freud quieto. Nada de explicações. Elas são racionais demais prá falar de sentimento. Não servem.
Mas a gente pode investigar o Inconsciente. E pesquisar que sentimentos são esses, que emoções são essas que se constróem justamente quando presenciamos um determinado acontecimento - e queremos participar da cena.
Vamos pesquisar juntos?

terça-feira, 17 de abril de 2007

SIGA O CAMINHO DAS PEDRAS AMARELAS

Tem hora que tudo o que a gente quer é uma direção indicada.
Hora em que a escuridão toma conta de tudo, e angústia parece ser o único sentimento possível. "Eu não sei o que fazer da vida, não. Vou procurar alguém que saiba isso prá mim." E a busca pelo mapa, pelo caminho, pelo fio de Ariádne que livra do labirinto começa.
Cartomante, pai de santo, auto-ajuda, brincadeira do copo, placa de trânsito, oráculo, horóscopo, guru, biscoito da sorte,... Qualquer coisa que me dê um sinal de que não estou sozinho no mundo, e tenho alguém prá me orientar nessa deriva total que me encontro. E me perco.
Qualquer coisa que me mostre uma luz, uma lanterninha, um vaga-lume sequer.
E fica-se pelo mundo aprendendo simpatia, pulando sete ondas, dormindo com a cabeça no sereno e o pé na bacia. Tudo prá resolver aquele problema. Só aquele, que é o único empecilho prá felicidade chegar e tomar conta de tudo de vez.
Mas a gente não segue qualquer um não. Isso é que não.
O critério é rigoroso.
Parece que a gente procura justamente alguém que diga o que a gente QUER ouvir, por isso o crédito. Queremos correligionários no que já sabemos. Alguém que diga, com a própria boca, o que nós já tínhamos pensado, confirmando a nossa tese.
Claro que não há mal algum em sair por aí procurando respostas. É até bem louvável que se tome essa atitude. E às vezes a gente não pode mesmo seguir sozinho. Precisa de um empurrãozinho. Precisa acreditar que tem alguém segurando a nossa mão. Precisa saber que se gritar, alguém vai ouvir.
Outro dia li o que uma pessoa escreveu a respeito de psicanálise, como se o Freud tivesse afirmado um monte de coisas que ele jamais fez. O barbudo tá dando piruetas no túmulo até agora, fazendo inveja a contorcionistas chineses, brabo com mais uma pseudo-citação de sua obra. Segundo o que li, a função da psicanálise é mostrar a veradde pro paciente.
Fica a pergunta aqui:
Verdade de quem, cara pálida?
Fui tomada de cólicas e tonteiras sem precedentes. Não é justo. Não é justo.
Pois bem, eu dou uma palhinha do que seria a função da psicanálise aqui. Rapidinho, prá fixar bem.
Esse jeito de prestar atenção nas pessoas e seus afetos que Freud foi descobrindo e inventando trata justamente do contrário, da contra-mão. Ao invés de sair ensinando os outros a viver, como se alguém o soubesse realmente, melhor descobrir, junto com a pessoa, o melhor jeito de ela própria estar no mundo.
É só uma sugestão.
Às vezes trabalhosa, mas por isso mesmo muito mais atraente.