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quarta-feira, 12 de junho de 2013

GAMBIARRA BLUES - UM AMOR LOUCO DE PEDRA


- Vai quebrar o menino assim, cuidado com o bracinho!
- E essa corrente de ar? Não dá pneumonia?
- Mas tá um calor dos infernos. Tira esse casaco. Deixa o sol entrar!
- O leite tá muito forte pra um recém-nascido.
- Forte? só leite não dá "sustança". Dá logo vitamina...

E assim chegamos ao mundo doidos pra aprender o que é o amor. Doidos pelas primeiras lições por mera questão de sobrevivência.
Doidos. 
Amor daquele que não acaba nunca. Daquele aprendido na sessão da tarde. Incondicional  - e cheio de vontades - desde que se faça tudo direitinho. Milagre, cura, arrebatamento. Daquele que todo mundo sabe que existe, mas tal qual face de Deus, ninguém sabe descrever que diabos é isto.

Bicho ruim é bicho-gente que não morre fácil. Afinal, com tanta barbeiragem na maternagem, era pra gente ser só os olhos revirando. Mas teimosos como só da raça humana mesmo, crescemos e vigamos.

Relação é igualzinho. 
Todo mundo sabe dar pitaco. Dizer que isso sim e isso não e aquilo de jeito nenhum. Como usar para melhor manutenção. Dosagem, posologia e informações medicamentosas. Mas na hora de ver como funciona, para além da teoria, a prática é muito outra. O que é delírio pra uns é suplício pra outros. E nunca, nada, ninguém sabe exatamente como operar com garantias.
Garanto!

E é solda aqui, parafuso ali, cuspe, suor e música bagunçando a sala e escondendo as fitas isolantes. Nós de lençol e de cabelo embutidos no conduíte. Sem falar em banho de sal grosso, promessa, dia propício para o jantar, pro baralho ou pro cinema americano.

Eita, que troço mais complicado esse aparelhinho de se relacionar!
Que só funciona no tranco. No treino. Na incerteza...
Eita, que às vezes dá vontade de desistir de tudo e trancar no quarto. "Quebrou. Tem mais conserto não."
Mas basta um suspiro à toa pra dar vontade de se enterrar na garagem e desmontar o trambolho todo até ver onde é que emperra.

E quem é teimoso de verdade insiste em tentar aprender o que ninguém sabe. Insiste em tentar o que ninguém descobre como. Teima em fazer de um jeito novo, autêntico. Sem manual, sem conselhos, sem modelos caricatos de outras modas imitadas (Mas livrai-nos dos pais, amém).

Ou desiste. Compra uma de plástico. Enfeita a cozinha.
Quem sabe funciona...
Quem sabe???

domingo, 19 de abril de 2009

ESSE LUGAR...

Recebi um postal com essa montagem de alguém muito querido na minha vida há mais de dez anos e resolvi dividir aqui com vocês essa maravilha.
Pensei nuns 5 textos completamente diferentes prá ter a desculpa de colocá-la aqui.
Eu podia falar da tirania da crianças com seus pais na atualidade.
Podia abordar a culpa materna em relação à criação dos filhos.
Podia falar de tanta coisa...
Podia estar matando e roubando mas resolvi vender aqui o meu peixe e questionar esse lugarzinho miserável em que a gente é colocado o tempo inteiro.
Chega a ser até engraçado como a gente pode se formar, fazer pós, ter filhos e constituir família,... Mas vem sempre um tentando colocar a gente na cadeirinha do papá.
experimente ir a uma reunião de pais na escola e veja como a professora primária, aquela que a gente sabe que não sabe nada do que tá fazendo, mas que teima em confiar achando que ela estudou sobre o desenvolvimento infantil vai lhe tratar.
Prá começar, seu nome não existe. É "mãe" e pronto. Assim fica mais fácil, infalível até, e o puxão de orelha que ela lhe dará fará mais efeito sem intimidade alguma.
Com os médicos não é muito diferente. Você será sempre um mal criado, que teima em fazer tudo errado do que ele prescreveu, mesmo que o efeito colateral do remédio que ele receitou lhe seja insuportável.
Com o chefe então... Nem precisa dizer.
Por mais que seu cabelo embranqueça e suas rugas apareçam na testa, ele controlará seu horário e idas ao banheiros como se você tivesse que pedir a cada vez, com o dedinho levantado: "Tia, posso ir no banheiro?"
Aí você chega em casa e encontra seu parzinho de vaso, sua cara-metade, perguntando por que demorou tanto, por que não telefonou, e dizendo que é melhor dormir cedo pois amanhã é dia de super-mercado.
Nem falo aqui de mãe e sogra que, por mais que você tenha 50 anos e seja forte como um touro, sempre vão perguntar se você está se alimentando direitinho - uma porque quer você forte, outra porque quer te explodir (Cabe a cada um dar o nome aos bois).
E quando te chamam pelo nome completo então?!? Você já espera o castigo, a surra, pois a "justiça" não falha nunca. E é a vez de a perna tremer, o medo chegar e a voz não vingar.
Sair desse lugar infantil não é prá qualquer um não. Muito menos sem uma ajudinha.
Então, diante disso, só posso te desejar:
Vê se cresce, tá?!?

sábado, 12 de maio de 2007

JUVENTUDE TRANSVIADA - e sua mãe também!!!


Dia das mães!
Pensei muito num tema que não esbarrasse nele. Mas acabei caindo aqui na armadilha, correndo risco de ficar piegas, apelativa, ou até agressiva.
Não há nada mais simbólico de mãe do que o seio. Um abraço de seios fartos felinianos, que tantas vezes pode acolher, noutras tantas sufocar.
Lembrei de que nem todo mundo é mãe. Mas, com certeza, todo mundo é filho. E mais, todo mundo é filho e, por mais velho que seja, sempre acaba sendo tratado como moleque irresponsável, que ainda tem muito o que aprender na vida, e esquece sempre casaco e guarda chuva só prá chatear.
E chegando o assunto 'filhos' prá pertinho, pros tempos atuais, a frase mais usada que se ouve por aí é a mesma: "Essa juventude está perdida!"
(Nada a ver com pastor evangélico, que chama todo mundo de jovem. Ou "meu jovem", já atribuindo uma possessividade aí quanto à ovelhinha. Mas o "jovem" aqui é pelo simples fato de que, para as mães, os filhos são sempre imaturos demais.)
Quanto a isso parece não haver sombra de dúvidas. Vamos lá às críticas mais comuns: O jovem hoje modifica o próprio corpo a seu bel prazer, fica horas na internet com joguinhos e bate-papos que, a princípio não levam ninguém a lugar nenhum, sai por aí querendo mudar o mundo, e como se não bastasse, não pede opinião a ninguém, e ouve uma música que sabe-se lá como ela ganhou esse status.
Mas aparece uma questão aqui, que não me sai da cabeça.
Afinal, quando é que a juventude foi achada???
Quando é que ela se encontrou e fez exatamente o que seus pais esperavam dela?
Se houve em algum dia um só lampejo dessa passagem, não me lembro. Acho que eu era jovem demais, e me perdia por aí, tentando me achar de vez.
Às vezes atendo uma ou outra mãe desesperada, quase citando Rita Lee cantando "esse tal de rock´n roll".
"Sabe doutora, minha filha enlouqueceu. Ela não quer mais fazer o que eu digo. Quer decidir tudo sozinha. Vê se pode..."
Mas o que leva O MUNDO a achar que o jovem está invariavelmente perdido?
Eu tenho alguns palpites prá arriscar aqui.
Talvez seja a dificuldade em ver que aquele ser que não podia querer - desça o mouse dois textos - comece agora a querer andar com suas próprias pernas.
Talvez seja a dor - sim, mãe se dói mesmo - de observar que a opinião importante agora não é mais a de quem era antes.
Talvez seja a dificuldade de lidar com as diferenças. De assumir que o outro não segue o mesmo caminho que nós por um motivo muito simples:
O caminho mudou!