terça-feira, 5 de março de 2013

SILÊNCIO É MÚSICA


"Eu simplesmente detesto quando mudam o tom do meu silêncio!"
Ele pensava, calado, mudando de assunto.
Afinal, desde muito antes de nascer acostumara-se a escutar seu próprio ritmo, antes compassado apenas com o tambor forte da mãe que o carregava.
Agia assim, visceralmente. Pensava com o sangue, com as artérias, com os órgãos. Sentia a vida e ainda tinha tempo de contemplar o barulho do sol quando nasce.
"Neurônios são para os fracos!"
Mas nesse free jazz todo cotidiano, de serra na janela do vizinho, de ônibus freando, de camelô gritando e gente falando muito sobre coisa nenhuma ele se perguntava onde se encaixar.
Sentia-se solo fora de hora, atrapalhando, tentando organizar a harmonia que se atropelava depois que o maestro criou tudo e se aposentou.
Esse jeito de viver dava trabalho. Mas era enfim, o único que sabia mais ou menos. Porque ninguém sabe viver completamente. 
Era nas nuances que ouvia os discursos. Era no ritmo da fala e da respiração que entendia o que realmente era pra ser entendido. Sem aquela encheção de linguiça de quem não tem o que dizer.
Algo assim feito cachorro que reconhece o afeto de longe. E tem ser mais sabido que os cachorros?
Ele sabia que um silêncio que contempla não é um silêncio cansado.
Que um silêncio pleno não é um silêncio cheio, ou de saco cheio. 
Há que se ouvir os suspiros, a respiração. Sob pena de interpretar uma pausa como depressão. Um momento solitário como agressão. Ou qualquer outra coisa que não esteja dita, mas esteja ali, pulsante.
O silêncio grita, pra quem não quiser ouvir. Fere. Sofre. E cria.
Noutra vez não diz mais nada. 
Acompanhar, sem quebrar o tom, aí já é coisa pra artista.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

INDUMENTÁRIA


Ela queria uma dessas paixões. Dessas que só se tem aos 15 anos.
Dessas que quando chega ao fim, a certeza de que perdeu a última chance de ser feliz é a única que resta, mal sabendo que depois desta, puro treino, o jogo começará de verdade.
E todos os especialistas no assunto darão conselhos sábios, esquecendo-se de olhar para o próprio umbigo, e perceber que conselho sábio, no amor, é a coisa mais imprestável que se pode dar. Absolutamente supérfluo, posto que a sabedoria é coisa de quem não sente. Ou de quem morre de inveja e de pavor.
Ela queria e encontrou. Avisou antes:
"Olha, já estou fora de linha, não tenho tanta peça pra reposição assim. Funciono meio na gambiarra, meio na fita isolante.
Protejo o mindinho do pé só de ver uma mesinha de centro. Por favor, não se mova bruscamente."
A nudez e entrega escondiam, no entanto, tanta ferida aberta, tanta mágoa de outras vidas, tantos romances mortos precocemente - e a morte sempre é precoce - que por baixo daquela nudez havia uma veste toda especial fabricada para o que chamava de amor.
Mas o amor precisa de legenda explicativa pra ser diferenciado de orgulho, posse, vaidade... Ou qualquer outra coisa do gênero que se queira nomear de amor, só pra ter história pra contar.
Afinal, se amar fosse fácil, não precisaria ser mandamento bíblico.
Ele, bravo guerreiro, Herói de outro planeta, já que o amor não é pra qualquer um, estendeu a mão e disse:
"Não se preocupe, linda dama. Lutarei por isto". E se preparou para o encontro, contrariando especialistas no assunto e expectativas pessimistas. Ora bolas. Amor numa hora dessas?
Vestiu sua melhor armadura e jurou que dessa vez era pra valer.
Lutou, lutou e lutou. Lutou com tanta gente, e por tanta coisa, que ao chegar em casa e reparar direitinho, a moça estava lá, sangrando.
Nem reparou que as feridas acumuladas teimavam em abrir na hora errada.
Que o passado putrefato de outros heróis era mexido e remexido até ganharem vida novamente.
Que a proteção contra arranhão estava tão forte que a blindagem não deixava que as peles roçassem mais.
E daí se morreu de novo. Como aos 15 anos.
Os especialistas estão lendo a respeito e inventando um milhão de teses sobre. Preparam-se para quando o amor chegar.


E SE...


Se eu matar o tempo,
quem é que morre?
E se eu embromar, burlar, roubar o tempo enfim?
Estarei roubando de quem?

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

OS MISERÁVEIS


Se tem uma coisa difícil de se falar é sobre a miséria nossa de cada dia. Aquela feia, mesquinha, que a gente esconde de tudo e de todos. E aquela que nos faz sentir tão pobres, mas tão pobres, que nem temos nada pra falar.
Reparem que me incluí aí sem sentar em meu próprio rabo pra falar da vida alheia. Humana que sou. Humanos que somos, eu, você, eles todos. Todos. Cada um com sua migalhinha bem alimentada.
Tem miséria pra todo mundo. Uma fartura só.
A miséria de optar investir na doença, e não na saúde. Essa é conhecida dos médicos, que entendem tudo da primeira, e absolutamente nada da segunda.
A miséria de reclamar da vida quando passa por um pobre coitado. De ter sempre uma dor ou cicatriz mais grave que a do outro quando a dele ainda sangra. "Ah, mas o meu caso é bem pior", repetem os mártires.
A miséria de não conseguir ver o sol, o mar, a montanha, as nuvens.Não mudar quando é lua cheia. E se achar tão grande que nada disso basta. E se saber tão ínfimo que nada disso alcança.
A miséria de chegar perto do Natal e sair comprando, investindo pesado, em bens duráveis. Plástico. Plástico de todo tamanho, toda cor, todo jeito. Plástico com luz colorida, com fita brilhante. Mas plástico. E não conseguir olhar o outro por 1 minuto sequer. Ai essa gente que se aproveita da miséria...
Falar de miséria é tão difícil que dá até uma certa depressão. Uma insuficiência. Uma sensação de falência. Aquele "eu não consigo, eu não posso, eu não tenho" tão característicos dessa danada que vai tomando conta da alma por mais que a pessoa tenha a conta bancária recheada. Fica sempre muito pouco.
Nem falo aqui de políticos que desviam verba e compram ilhas. e juntam quantias que, nem que o cara vivesse 480 anos, conseguiria gastar.
Nem falo aqui do lixão, dos que não tem o que comer e catam a sobra dos outros pra viver.
A miséria d´alma é a mais difícil de combater. A miséria da alma entorpecida de anestésicos, que repete aos quatro ventos uma sensibilidade além do suportável. "Ah, o meu caso... Ah, como eu sinto...Ah, como sofro.... Ai de mim, ai de mim." O coro grego repetindo o escolhido/esquecido dos deuses.
Em épocas de fim de ano, de fim de mundo, de fim dos tempos, é bom pensar no que se quer salvar. Ou deixar de lembrancinha.
Plástico? Plástica?


terça-feira, 28 de agosto de 2012

TIRE SUAS MÃOS DE MIM


Sim. Eu ouvia Legião Urbana.
Até porque crescer em Brasília nos anos 80 tinha como requisito ouvir Legião Urbana. E não só no show ou na rádio, mas em toda e qualquer rodinha insuportável onde houvesse um mísero violão tocando aqueles acordes infernais.
Talvez por isso eu teime em citar errado, pois eu deveria beber na fonte de onde tudo foi chupado, já que é assim que se cita.
Mas dessa música gosto particularmente do que ele afirma como incerteza, como não saber, como arrebatamento que mais se parece a um atropelamento que deixa a vítima estirada no chão tal qual música do João Bosco.
Tá lá o corpo estendido no chão jurando que dessa vez é de verdade. Jurando que agora achou seu par de vaso por simples questão de cansaço, de não saber muito bem descrever se foi tsunami ou caminhão.É que as vezes as cosias acontecem assim. Sem quê nem porquê. Sem tempo de refletir ou de se distanciar do que realmente acontece. Daí a confusão diante de uma presença insistente e invasora, que preenche todos os espaços vazios - que assim deveriam ficar, já que os vazios precisam existir para que haja o silêncio, o sonho, o devaneio, a fantasia, o desejo, ... . Daí misturar urubu, meu louro e passarinho azul, tudo num saco de gatos, arrebatando o sujeito e tomando-o como objeto. Presa de guerra de aldeia saqueada.
O colonizador chega e instaura suas leis: Não dance mais assim, pois é vulgar. Não gosto de seus amigos. Não precisa ler esses livros todos. Pra que sair de casa? Quer achar o que na rua? Até que vem a pergunta devastadora: No que você está pensando?
Agora me responda, se você souber: como dizer o que se está pensando no exato momento em que se pensa?
Se há um jeito de bloquear pensamento, pra mim, é este: Interrompendo-o como num estupro de crianças, onde se exige uma maturidade e preparação que o corpo simplesmente não pode acompanhar, não pode suprir ou responder como capaz.
E tudo isso, para os apressados,vem como a alcunha enganadora do lema de guerra mais antigo que já existiu. Em nome do amor já se cometeu tanto massacre... Com ou sem sangue derramado.
Acalmem-se. Não sou contra o amor. Pelo amor de Deus, não.
Ao contrário, sou muito afeita a este. Mas será que tudo merece o mesmo nome?
A personagem principal do livro "O perfume', espantado com o mesmo nome das coisas, se questionava por que chamar tudo de leite quando o leite tirado do gado que come determinado capim é completamente diferente do leite da ovelha que pasta por certos caminhos que as outras não pastam.
Por que dar o mesmo nome a tudo?
Por que arrebatamento se liga tão facilmente a palavra amor e não a catástrofe ou a acidente?
Por que chamar de amor uma invasão de corpos em que o tempo de cada um é tão diferente que não há um ritmo ótimo das respirações? E um acaba sempre por ditar o comportamento do outro, numa batalha necrológica pra ver quem sobrevive a quem?
Por que?
Talvez, em qualquer esquina de Brasília se saiba disso, afinal, todo mundo por lá sabe cantar:
"acho que isso não é amor!"
Difícil por lá é só achar a tal esquina. Mas nada é perfeito mesmo não é?!?

quarta-feira, 20 de junho de 2012

DO PÓ AO PÓ - O RESTO É LUCRO

 "Existirmos/
A que será que se destina?"


Pergunta que não cala. Mas que nunca é falada, pois muito mais fácil é falar da morte do que de uma vida vivida. Afinal, como diria Oscar Wilde, "Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe."
Enquanto isso, semana da Rio + 20, chuva rala caindo lá fora,... e eu destruí nesta semana 2 guarda-chuvas chineses. 2 guarda-chuvas que se fizeram, cada 1, em 3 pedaços em minhas 2 mãos, desafiando qualquer lei da física que distribua a ação em forças.
Guarda-chuvas bonitos, plásticos, pintados do metal mais prateado como só os chineses sabem imitar.
E se tem uma coisa que chinês sabe fazer é o arremedo irremediável da utilidade, tornando fútil qualquer tentativa de proteção da natureza.
Parece haver uma palavra de ordem, do tipo sub-liminar, dizendo: "Se não pode com a natureza, destrua-a. Mostre do que você é capaz, seja seu próprio deus."
E vamos nós, aleijando peixes, tartarugas e matando Yemanjá intoxicada. Falência múltipla dos órgãos.
Vamos fingindo super-produção enquanto degradamos o desagradável. Afinal, se o mar é grande, somos maiores.
Enquanto isso, o menino em seu quarto brinca de fazer nada. De um nada imaginário ele cria heróis, fantasmas, castelos e reinos. Vilões perigosíssimos que querem destruir essa vida toda.
Enquanto isso, a mãe, da cozinha, pede ajuda do menino que nada faz, afinal, ele faz nada, e pode parar o nada a fazer para desembalar isopor e plástico pro jantar.
Enquanto isso, a culpa de nada se fazer faz com que saiamos correndo feito loucos, consumindo, produzindo, aumentando o lixo só para dizer que fazemos alguma coisa.
E nem percebemos que o nada que o menino faz é ele mesmo, que se cria e se inventa e se constrói assim, do nada. E vive de verdade o devaneio, enquanto devaneamos estar vivendo.

Ora bolas, se é pra fazer, vamos fazer direito. Com gosto, cheiro e textura. E com uma cabaninha forte pra proteção da chuva que é pro herói não ficar resfriado, com os olhos pequenininhos...

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O Diabo TEM que existir!!!

Ela tinha medo de magia. De macumba, mandinga e até de capoeira.
Dizia não crer em orações, mas nas religiões usadas para fazer o mal a alguém.
Do bem? Pouco sabia. Pouco viu ou ouviu falar.
Dizia: "Houve numa época, eu sei. Mas já passou! Hoje não cola mais."
E foi falando isso logo pra alguém meio cético, meio incrédulo, cheio de racionalizações e explicações embasadas em análises políticas das mais diversas.
Tinha seus rituais inventados. Claro. Mas eram só resquícios de um TOC mal curado - ou bem tratado - de infância. Coisa pouca. Coisa boba.
Até que um dia o "ceticão" se viu num ódio medonho. Não daqueles de xingar o ônibus que passa sem parar. Desses aí acabam logo. Logo que o ônibus vira a esquina.
Era ódio sério. Daqueles de uivar pra Lua com peito apertado. Daqueles de dar insônia e pensar em assassinatos usando objetos finos, tipo alicate de unha, faca de serra, ou simplesmente água fervendo.
Daqueles que a gente agradece aos buracos da calçada por darem um montão de ideias pra um peeling artesanal.
E o Cético teve que dar razão a sua amiga medrosa de alma. Já descrente da justiça dos homens, sem provas da justiça divina, acalmou seu espírito planejando o dia do enterro de quem lhe causara tanta mágoa.
Preparou a caixa de presente com o papel mais bonito que encontrou. Pôs laço, fita e flor, e perfumou tudo.
Dentro só um leque. E um bilhetinho singelo:
"Toma. Lá, pra onde você vai, deve ter serventia"!
E seguiu a vida, como quem vê o ônibus virar a esquina.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A CRASE


Foi quando meu pai me disse: "Filha, você é a ovelha negra da família!"


Nada disso, esse pai é o da Rita Lee. E nós sabemos que ela não é a parte genial dos mutantes.
Meu pai, que é só meu e não dos meus irmãos, me disse, na verdade, uma frase muito carinhosa, querendo me mostrar alguma coisa que ele julgava desconhecida por mim, quando mencionou, com voz de trovão que lhe é peculiar mas muito dócil ao mesmo tempo (Como ele consegue fazer isso???):
"Minha filha, você tem sérios problemas com a  crase."
E eu, me desculpando, me levantei rapidamente, arrumando a mesa do jantar e me prontificando a buscar mais bebida.
Me confundem os assentos. Nunca sei onde é lugar de quem.
Acomodo tios que não se falam um do lado do outro. Incomodo. Firo com qualquer alicate de unha o Português, o Espanhol, e todo latinismo que me chegue perto. Com alemães não me meto. Não que eles possam entender, claro. Qualquer arma, prá minha língua, é letal.
Mas faço isso (ou será isto?) descaradamente. Latindo alto como todo cachorro pequeno. Sem preconceitos ou cotas.
O acento certo me confunde na crase até por hoje eu não saber mais o que é palavra feminina e o que é artigo comum de dois gêneros.
Os lugares são mutantes - estes sim. Mas os transeuntes? Esses passarão, esses vão á casa da Noélia, voltam da casa da Mãe Joana, e descansam no banco da praça como se a casa chegassem.
Vejo a Mãe Joana pedindo cuidados como se filha fosse. Vejo os juniores ensinando seniores-chefes passando-lhes todo o serviço. Vejo bebês cuidadores, médicos-monstros, pedintes oferecidos. Vejo quartos grandes que não são mais dos pais. Aliás, o quarto dos pais já não tem segredo algum além do ursinho de pelúcia.
Me perco na entrada do banheiro do restaurante sem saber qual porta é reservada a ele (ou será ela???)
Realmente meu pai, podes me estapear e palmar minha mão. Não tenho ideia de onde posso me sentar. 
A mim é impossível escolher um assento só.
Mas não vejo isto (ou será isso?) como erro, não.
Eu chamo só de mistura de sotaques e danças típicas desse mundo grande, grande.
É que não há brincadeira mais saudável e fisioterapia mais eficaz aos engessados por longa data do que a dança das cadeiras.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A LITERATURA SALVA



Palavra mágica abre cavernas, Aladim!
E foi assim que ela o encorajou a insistir em histórias tantas que não eram muito bem dele, mas que poderiam ser, se pronunciasse o que o outro queria ouvir naquele momento.
Não vou falar aqui de amor. Deixo isso pro Xico Sá, ou pro Carpinejar.
De política tampouco. Meus parcos estudos sobre o assunto tornaram-me a pessoa mais sugestionável e paranoica que possa existir nesse âmbito.
Acho sempre que ELES - sejam ELES quem forem- estão planejando tudo na surdina. e manipulando meus desejos e me fazendo jurar que assisto novela por pura distração - e não prá fingir prá mim mesma que descanso assim vendo outras vidas e dando pausa na minha.
Meu tema aqui é outro. Qualquer outro. Desde que seja um outro preso no papel ou na tela.
Um que eu mesmo invento e sei que não passa de personagem.
Um que me rouba o ar e enche minha garganta de plástico bolha que jamais estoura, só prá ter angústia como matéria-prima e me fazer talhar e esculpir personagens.
A literatura salva!
Mas literatura não salva no sentido heroico da coisa.
Ela economiza, isso sim.
Não importam provas de realidade. Não importam cicatrizes descritas ou hematomas narrados.
Lá, na escritura, ela nos poupa de sentir os cheiros mais alucinatórios da realidade. As cores primárias são fortes, mas jamais cegam.
E os amores, ah, os amores...
Esses podem sobreviver por mais que a sentença de morte tenha sido lida ante-ontem.
Estes sobrevivem e marcam os leitores sempre saudosos de nunca jamais na vida terem se envenenado com o beijo de Julieta, guardando no canto da boca ainda uma última gota para ser usada apenas em caso de emergência.
A literatura salva, e poupa, e limita a capacidade do punhal e do gozo. Espécie de recalcamento desejado. Contato com a morte sem UTIs ou velórios.
Disso que leio, só quero isso que leio. Sem surpresas, sem misturas. Massa homogênea que por mais que se mexa jamais se contamina com atrasos ou declarações inesperadas.
Diante disso, vou ali tomar um gole de água. Molhar a garganta e deixar cair, num tropeço, um tanto na roupa, que me deixará em choque térmico exagerado de tanta falta de literatura.